Ferramentas de cerâmica fria sobre a mesa: garrafa de vidro como rolo, palitos de picolé, ferramenta de bolinha, esteca de metal e uma florzinha de massa

Ferramentas para cerâmica fria: o que comprar e o que improvisar

Pra começar na cerâmica fria, dá pra comprar só duas ferramentas: uma de bolinha com duas pontas e uma esteca fina de metal. O resto sai da gaveta da cozinha. Garrafa de vidro, palito de churrasco, palito de dente, tampa de caneta e faca sem serra fazem quase tudo o que um kit de vinte peças promete.

Eu sei porque comprei o kit grande. Veio num estojo de plástico com estecas de várias cores e formatos, e depois de uns meses eu pegava sempre as mesmas duas. Algumas peças continuam com a rebarba de plástico da fábrica.

O checklist está separado pela tarefa que você faz na massa. Assim fica fácil ver o que já tem em casa e o que falta de verdade.

Esticar a massa e abrir a placa

Pra esticar, uso uma garrafa de vidro lisa como rolo. Ela é pesada, rola reto e a massa solta fácil. Testei uma garrafa com o nome da marca em relevo no vidro e o nome saiu carimbado na placa, então a regra é simples: vidro liso, sem desenho.

Pra placa sair com a mesma grossura de ponta a ponta, coloco palitos de picolé empilhados dos dois lados da massa, dois de cada lado. A garrafa apoia nos palitos e não desce mais que isso. Sem os palitos, minha placa saía mais fina no meio e rachava justamente ali na secagem.

A base de trabalho é um plástico grosso de pasta catálogo, que eu abri e cortei. A massa não gruda nele e dá pra girar a peça sem tocar nela. Na mesa de madeira direto, a massa pegou o desenho dos veios da mesa.

  • Precisa: algo liso e pesado pra rolar, algo pra controlar a grossura e uma base que não grude.
  • Improviso que funciona: garrafa de vidro lisa, palitos de picolé, plástico de pasta.
  • Vale comprar? Não. Rolo de acrílico só faria sentido se eu abrisse placas grandes toda semana.

Cortar e recortar formatos

Faca de mesa sem serra corta tira reta sem arrastar a massa. A faca com serra deixa a borda puxada, com aquele aspecto de massa rasgada que aparece depois da pintura.

Pra círculo, uso o que tiver o tamanho certo: tampa de caneta pra bolinhas de olho, tampinha de garrafa pet pra base de ímã, copinho de café pra peças maiores. Antes de cortar, passo o dedo com um pouco de creme na borda do cortador improvisado. Sem isso, a massa fica presa dentro da tampa e deforma quando eu tento tirar.

Cortador de pétala em formato de gota foi a única compra de corte que eu repetiria. Recortar pétala à mão com a faca deu pétalas de tamanhos diferentes numa mesma flor, e a flor ficou torta.

Furar sem fechar o buraco

Aqui o palito resolve, mas o tamanho conta. Furo feito com palito de dente numa peça de brinco quase fecha enquanto a massa seca, porque ela incha um pouco de volta. Hoje furo com um palito mais grosso que a argola que vou usar, ou com o palito de churrasco quando é pra passar cordão.

Gire o palito ao tirar, em vez de puxar reto. Puxando reto, a borda do furo levanta e fica um biquinho.

Abrir pétala, folha e curvas com a ferramenta de bolinha

A ferramenta de bolinha tem uma esfera de metal em cada ponta, uma pequena e uma maior. Ela afina a borda da pétala e faz a concha da folha quando você pressiona e arrasta sobre a massa apoiada numa espuma ou na palma da mão.

Tentei improvisar com alfinete de cabeça espetado numa rolha. Funcionou pra bolinha bem pequena, como o vinco de uma florzinha de brinco. Em pétala maior, a cabeça do alfinete deixou sulcos em vez de uma curva lisa, porque era pequena demais pra área. O cabo arredondado de uma colher de café serviu pra pétala grande, mas ficou desajeitado pras médias.

Essa foi a primeira compra que valeu. Com a de duas pontas, eu cubro pétala pequena, pétala média e a concha de folha sem trocar de objeto.

Marcar veio, textura e detalhe fino

Pra marcar veio de folha e linhas finas, comecei com palito de dente. Ele marca, mas a madeira solta fibrinhas e o risco sai com uma borda felpuda, que a tinta depois realça. Na suculenta isso não aparece. Em folha de flor lisa, aparece.

A esteca fina de metal, com uma ponta de faca e outra de agulha, deixa o risco limpo. Foi a segunda compra que eu repetiria. Ela também serve pra empurrar massa em canto difícil, como entre os dedinhos de um bonequinho.

Textura de pele, de casca ou de tecido sai melhor com objeto de casa do que com ferramenta de kit. Escova de dente velha, tule e a ponta de uma esponja estão no post de texturizadores caseiros pra cerâmica fria, com o que cada um deixa na massa.

Checklist por tarefa

Tarefa O que eu uso de casa Vale comprar?
Esticar a massa Garrafa de vidro lisa Não
Grossura igual da placa Palitos de picolé empilhados Não
Base de trabalho Plástico de pasta catálogo Não
Corte reto Faca de mesa sem serra Não
Círculos Tampa de caneta, tampinha, copinho Não
Pétala de tamanho igual Faca, no olho Sim, cortador de gota
Furo Palito de churrasco ou palito mais grosso que a argola Não
Afinar pétala e fazer concha Alfinete na rolha (só pequeno) Sim, ferramenta de bolinha
Veio e detalhe fino Palito de dente (risco felpudo) Sim, esteca fina de metal
Textura Escova, tule, esponja Não
Alisar emenda Dedo com creme, pincel chato velho úmido Não

Se você está nas primeiras peças, o post em que conto como comecei na cerâmica fria em casa tem a lista do resto do material, da massa ao verniz.

O que ficou no estojo sem uso

Do kit, sobraram sem uso as estecas de ponta em serrinha, as de formato de concha dupla e duas espátulas largas de plástico. As de plástico têm a borda grossa demais pra cerâmica fria: em vez de cortar, elas amassam. As de serrinha fazem uma textura que a escova de dente faz melhor.

A Laura acabou adotando as espátulas de plástico pra brincar com massinha. Foi o destino mais útil que elas tiveram.

Se for comprar avulso, prefira metal pras ferramentas de detalhe. A ponta de metal é mais fina e a massa solta com mais facilidade. Plástico serve pra quem está testando se vai gostar do hobby, desde que a ponta seja fina.

Limpar a massa grudada e guardar

Massa fresca sai com um pano úmido, na hora. Eu deixo um paninho dobrado do lado da tábua e passo a ferramenta nele a cada troca.

Massa que secou na ferramenta amolece em água morna. Deixo de molho uns minutos num copo e esfrego com a mesma escova velha de textura. Não raspe com faca: risca o metal, e o risco passa a prender massa.

Guardo as ferramentas em pé num copo de requeijão, com as pontas pra cima. Deitadas na caixa, a ponta da esteca fina entortou uma vez embaixo do rolo de palitos.

Perguntas frequentes

Quais estecas comprar primeiro?

Uma ferramenta de bolinha de duas pontas e uma esteca fina de metal com ponta de faca e de agulha. Com as duas, mais os objetos da cozinha, dá pra fazer flor, folha, bonequinho e bijuteria.

Ferramenta de bolinha serve para quê?

Pra afinar a borda de pétala e folha e dar a curva de concha. Também marca olho e faz cavidade pequena sem rasgar a massa.

Estecas de plástico ou de metal?

Metal pra detalhe, porque a ponta é mais fina e a massa solta melhor. Plástico de borda grossa amassa em vez de cortar.

Dá para começar sem comprar ferramenta nenhuma?

Dá, se as primeiras peças forem ímã, bolinha e formato simples. A falta aparece quando você tenta pétala fina ou veio de folha.

Como limpar a massa grudada nas ferramentas?

Fresca, com pano úmido. Seca, de molho em água morna por alguns minutos e escova velha. Sem raspar com faca.

Antes de comprar qualquer coisa, faça uma florzinha de cinco pétalas só com o que tem em casa. A tarefa que der mais trabalho é a que pede ferramenta, e é só ela que vale ir buscar na papelaria.