Bolinhas de cerâmica fria cortadas ao meio mostrando miolo de papel alumínio e de isopor, ao lado de uma bola de jornal com fita crepe

Miolo de papel alumínio, jornal ou isopor na cerâmica fria

Pra peça de cerâmica fria maior que uma bolinha de gude, eu ponho miolo de papel alumínio amassado quase sempre. Ele aceita qualquer formato, a massa gruda bem nas dobrinhas e a peça seca em poucos dias. Isopor fica pra quando a forma já é uma bola ou um ovo e eu quero a peça bem leve. Jornal com fita crepe eu uso quando acabou o alumínio, com um cuidado a mais na hora de cobrir.

Cheguei nisso depois de uma bola maciça que levou quase duas semanas pra secar por dentro e ainda trincou na base. A Laura tinha pedido um boneco de neve do tamanho de uma laranja pra pôr na estante, e eu fiz o corpo só de massa. Foi muita massa e muita espera numa parte que ninguém ia ver.

O miolo é o recheio escondido dentro da peça. Ele ocupa o lugar que seria de massa, deixa a peça mais leve e diminui a parte grossa que demora pra secar.

O teste: a mesma bolinha com quatro recheios

Fiz quatro bolas iguais na mesma semana, todas com massa caseira de panela do mesmo lote e todas com uns 6 cm de diâmetro depois de prontas, medidos com régua. Uma foi maciça, só de massa, pra servir de comparação. As outras três tiveram miolo:

  • papel alumínio amassado e apertado entre as mãos até virar uma bola firme;
  • jornal amassado e enrolado com fita crepe até ficar redondo;
  • uma bola de isopor comprada na papelaria do bairro.

Pesei cada uma na balança de cozinha logo depois de modelar e de novo todo dia. Deixei as quatro lado a lado na mesa da cozinha, longe da janela, e virei todas uma vez por dia pra base não ficar sempre apoiada no mesmo ponto.

Pra saber se estavam secas por dentro, não confiei no toque. Quando o peso parou de cair dois dias seguidos, considerei seca. É o mesmo raciocínio do teste da tirinha que contei no post sobre quanto a cerâmica fria encolhe ao secar: a água sai e leva peso e tamanho junto.

Depois de secas, cortei as bolas ao meio com uma faca de serra velha que fica na caixa do artesanato. O corte mostrou mais do que a balança.

Peso, secagem e rachadura lado a lado

Miolo Massa usada Peso seco Dias até o peso parar Trincou? Massa presa no miolo?
Nenhum (maciça) 145 g 112 g 12 Sim, na base, no 4º dia Não se aplica
Papel alumínio 55 g 58 g 4 Não Sim, inteira
Jornal com fita crepe 55 g 50 g 5 Não Sim, depois da cola branca
Isopor 50 g 40 g 3 Na primeira versão, com camada fina Solta num pedacinho perto da emenda

Os números são da minha mesa, numa semana sem chuva, com a minha massa. Na sua casa eles mudam, mas a diferença entre a maciça e as outras três aparece de qualquer jeito: a maciça gastou quase três vezes mais massa e levou o triplo de dias.

A bola de alumínio pesou mais que a de jornal porque o próprio alumínio, bem apertado, tem peso. Pra uma peça de estante isso não muda nada. Pra um enfeite pendurado em galho fino, muda.

Papel alumínio: o miolo que eu mais uso

O alumínio ganhou por um motivo prático: dá pra apertar no formato que eu quiser. Bola, gota, corpinho de passarinho, base achatada de vasinho. Se ficou grande demais, aperto mais. Se ficou pequeno, enrolo outra folha por cima e aperto de novo.

A massa gruda bem porque a superfície fica cheia de dobrinhas. Abri a massa numa placa, enrolei o miolo e fui juntando as bordas sem esticar. Nada escorregou, e no corte a massa estava presa no alumínio em volta toda.

O erro que eu cometi antes desse teste foi amassar o alumínio frouxo. Numa corujinha grande, apertei a barriga pra marcar as penas com a ponta do palito e ela afundou, porque o alumínio por dentro cedeu junto. Hoje aperto o miolo até ele não ceder mais com o dedão. Cansa a mão, mas a peça fica firme pra receber textura.

Pra bola do teste foram duas folhas de uns 30 cm cada, apertadas até uma bola de pouco mais de 4 cm. Com a massa por cima, chegou nos 6 cm.

Jornal com fita crepe: leve, mas a massa escorrega

Jornal é o mais barato e o mais fácil de achar em casa. Amassei uma folha, enrolei a bola com fita crepe dando voltas em todas as direções, e ela ficou leve e firme o bastante pra modelar em cima.

O problema apareceu na hora de cobrir. A fita crepe é lisa, e a placa de massa não pegou. Quando fui alisar, ela correu pro lado e abriu uma bolha de ar entre a fita e a massa.

Tirei a massa, passei uma camada fina de cola branca com o dedo por cima da fita e esperei uns dez minutos, até a cola ficar só pegajosa. Aí a massa grudou. No corte, depois de seca, o jornal estava duro e colado na casca.

Numa sobra que eu cobri fininho só pra ver o que acontecia, a letra do jornal apareceu como uma sombra cinza embaixo da massa branca. Se a peça vai ser clara, a camada por cima do jornal precisa ser mais generosa.

Isopor: o mais leve e o que mais pede preparo

A bola de isopor deu a peça mais leve do teste e secou mais rápido, porque toda a massa estava numa casca por fora e nada no centro guardava água.

Só que o isopor de papelaria é liso e não cede. Na primeira bola, cobri com uma camada de uns 2 mm, e no segundo dia apareceu uma trinca fina como fio de cabelo dando a volta em metade da bola. A massa encolheu ao secar e o isopor por dentro ficou do mesmo tamanho. Sem ter pra onde ir, a casca abriu.

Refiz com dois ajustes. Risquei o isopor inteiro com um garfo, pra criar uma superfície áspera, e cobri com uma camada de uns 4 mm. Essa não trincou. No corte, a massa estava presa quase toda, com um pedacinho solto perto da emenda onde eu juntei as bordas da placa.

Isopor funciona bem quando a forma já existe pronta, como bola, ovo e cone. Dá pra cortar e lixar pra outros formatos, mas solta bolinha branca pela mesa inteira e eu desisti na primeira tentativa.

Quanta massa vai por cima do miolo

A camada que funcionou aqui foi de 4 a 6 mm. Abaixo disso, a massa trincou sobre o isopor e deixou o jornal aparecer. Acima disso, a peça volta a ficar pesada e demora pra secar, e o miolo perde a função.

Pra acertar a espessura sem régua, abro a massa entre palitos de picolé deitados na mesa, um de cada lado, e passo o rolo por cima apoiado neles. Com dois palitos empilhados de cada lado, a placa sai com uns 4 mm, sempre igual.

  1. Aperte o miolo até ele não ceder com o dedo.
  2. Abra a placa entre os palitos empilhados.
  3. Se o miolo for liso (fita crepe ou isopor), risque ou passe cola branca e espere ficar pegajosa.
  4. Enrole o miolo na placa e junte as bordas sem esticar a massa.
  5. Corte o excesso da emenda com tesourinha e alise com o dedo levemente úmido de creme.
  6. Só depois modele os detalhes, já em cima da base firme.

Peça grande com miolo continua pedindo secagem com calma, virando de lado e longe de sol forte. O post sobre como secar peças grandes de cerâmica fria sem rachar tem o resto desse cuidado.

Arame e palito servem de espeto, sem fazer volume

Arame e palito entram na peça pra ligar partes. Uso um pedaço de palito de churrasco pra prender a cabeça no corpo do boneco: espeto metade no corpo ainda mole, ponho uma gota de cola branca e encaixo a cabeça. Perninha fina de passarinho leva arame encapado de jardim, porque o palito quebra quando a perna é comprida.

Uma vez tentei fazer o corpo de um gatinho só com arame enrolado, achando que daria um miolo leve. A massa não teve onde se apoiar entre as voltas e afundou em três lugares. Desde então, o arame fica só nas partes finas e o volume vem do alumínio.

Qual miolo escolher pra cada peça

  • Bonequinho, bicho, corpo com formato livre: papel alumínio bem apertado.
  • Bola de árvore de Natal, ovo, cabeça redonda grande: isopor riscado com garfo, com camada de 4 a 6 mm.
  • Base de vasinho ou peça grande que vai ficar parada na prateleira: jornal com fita crepe e uma demão de cola branca antes da massa.
  • Peça menor que uma bolinha de gude, pétala, folha, brinco: sem miolo, porque massa pura seca rápido nesse tamanho.
  • Parte fina que precisa ficar em pé: arame encapado ou palito de churrasco como espeto.

Se a massa for caseira, faça a quantidade toda de uma vez pra peça inteira sair do mesmo lote. Quando misturei dois lotes, a emenda ficou com um degrau. A receita que eu uso está no post das três receitas de massa de cerâmica fria com amido.

Perguntas frequentes

Pode deixar o papel alumínio dentro da peça?

Pode. Ele fica lá pra sempre e não atrapalha a pintura nem o verniz. Na bola cortada ao meio, o alumínio estava igual ao dia em que entrou, preso na massa.

A massa gruda no isopor?

Gruda mal se ele estiver liso. Riscar com garfo resolve boa parte, e uma camada fina de cola branca, esperando ficar pegajosa, ajuda no resto.

Qual espessura de massa por cima do miolo?

Aqui funcionou de 4 a 6 mm. Fina demais trinca ou deixa o miolo aparecer na cor; grossa demais pesa e demora pra secar.

Miolo de jornal mofa dentro da peça?

Na bola do teste, cortada depois de seca, o jornal estava seco e duro. O que eu evito é guardar a peça fechada antes de o peso parar de cair, porque aí a umidade fica presa lá dentro.

Dá pra usar arame como estrutura na cerâmica fria?

Dá, pra ligar partes e sustentar perninha fina. Como enchimento de volume ele não funciona, a massa afunda entre as voltas.

Pra começar, faça uma bolinha de teste com miolo de alumínio do tamanho de um limão e cubra com a placa aberta entre os palitos empilhados. Pese todo dia e, quando o peso parar de cair, corte ao meio pra ver se a massa ficou presa antes de partir pra peça de verdade.