Meu primeiro sousplat de crochê ondulou na sétima carreira. A beirada subia e descia como a borda de uma saia rodada, e ele não assentava na mesa de jeito nenhum. O motivo era simples: eu tinha colocado aumentos a mais, no olho, sempre que achava que a peça estava ficando apertada.
Desmanchei até a quinta carreira, refiz contando ponto por ponto e o segundo saiu reto, com 34 cm de diâmetro. Levou umas cinco horas, divididas em quatro noites depois da janta. Pesei na balança de cozinha e deu 160 g de barbante.
Abaixo está o que eu usei, a conta de pontos que funcionou e o que eu mudaria se começasse hoje.
Por que eu saí do porta-copos para o sousplat
Depois de uns dez porta-copos, eu queria uma peça maior sem partir para uma blusa ou um tapete. O sousplat parecia o passo certo: é redondo como o porta-copos, usa os mesmos pontos e serve para alguma coisa logo de cara. Se você ainda não fez nenhum porta-copos, comece por ele, porque o porta-copos de crochê de fim de semana ensina o mesmo começo em meia hora.
A diferença aparece depois da quarta carreira. Num porta-copos, um erro de aumento quase não se vê, porque a peça acaba antes. Num sousplat, o erro vai se somando volta após volta, e lá pela sétima ele fica visível de longe.
Material e tempo do sousplat que deu certo
| Item | O que usei | Observação |
|---|---|---|
| Fio | Barbante cru nº 6 | Pesei a peça pronta: 160 g |
| Agulha | 3,5 mm | Com 4 mm a trama ficou mole demais no teste |
| Ponto | Ponto alto, com uma volta final de ponto baixo | A volta de ponto baixo deixou a borda firme |
| Carreiras | 11 de ponto alto e 1 de ponto baixo | Diâmetro final de 34 cm |
| Marcador | Grampo de cabelo | Um no começo de cada carreira |
| Tempo | Cerca de 5 horas | Quatro noites, mais meia hora para arrematar e passar |
Escolhi barbante nº 6 porque era o que eu tinha em casa e porque ele dá um sousplat com corpo, que não dobra quando você puxa o prato. A escolha de fio e agulha está explicada com mais calma em como escolher a linha e a agulha certas.
A primeira tentativa: onde a borda começou a ondular
Comecei com o círculo mágico e 12 pontos altos dentro. Até a quarta carreira, tudo certo. Na quinta, a peça parecia meio esticada quando eu apoiava na mesa, e eu achei que precisava de mais pontos. Em vez de contar, fui colocando dois pontos no mesmo lugar sempre que sentia a trama puxar.
Na sexta carreira fiz a mesma coisa. Na sétima, a borda já tinha ondas. Contei com calma e achei 90 pontos na sexta carreira, quando o certo seriam 72. Eram 18 pontos sobrando, e eles não tinham onde caber a não ser subindo e descendo.
Tinha um segundo problema, menor. Eu fazia os aumentos sempre no mesmo lugar em relação à carreira anterior, e o sousplat estava ganhando cantos, com cara de hexágono. Isso eu só reparei quando coloquei a peça em cima de um prato raso e vi a sobra irregular em volta.
A conta de aumentos que deixou o sousplat reto
Crochê redondo e plano segue uma regra de soma. Em ponto alto, a primeira carreira tem 12 pontos e cada carreira nova ganha mais 12. Em ponto baixo, a conta é de 6 em 6. Quando a peça tem mais do que isso, ela ondula. Quando tem menos, ela vira uma cuia e as bordas levantam.
| Carreira | Como fazer | Total de pontos |
|---|---|---|
| 1 | 12 pontos altos dentro do anel | 12 |
| 2 | 2 pontos altos em cada ponto | 24 |
| 3 | 1 ponto, 1 aumento, repetir | 36 |
| 4 | 2 pontos, 1 aumento, repetir | 48 |
| 5 | 3 pontos, 1 aumento, repetir | 60 |
| 6 a 11 | Um ponto simples a mais entre os aumentos a cada volta | 72, 84, 96, 108, 120, 132 |
| Borda | 1 ponto baixo em cada ponto, sem aumento | 132 |
Aumento, aqui, quer dizer dois pontos no mesmo ponto da carreira de baixo. Se as siglas da receita confundem, o post sobre como ler receita de crochê em português traduz cada uma.
Como evitar os cantos de hexágono
A partir da quinta carreira, comecei cada volta de um jeito diferente. Numa, fazia o aumento logo no começo. Na seguinte, fazia metade dos pontos simples antes do primeiro aumento e deixava a outra metade para o fim da volta. Com isso os aumentos ficam desencontrados e a borda sai redonda.
Contar em toda carreira, sem pular
No segundo sousplat contei os pontos ao fim de cada carreira, marcando com um lápis numa folha presa na geladeira. Dá uns dois minutos por volta. Foi o que salvou a peça, porque na nona carreira achei 107 pontos em vez de 108 e consertei ali mesmo, sem desmanchar quase nada.
Firmeza: o que muda o sousplat de mole para assentado
Com a conta certa, a forma fica reta. A firmeza depende de outras duas coisas.
- Tensão igual do começo ao fim. Fiz o sousplat em quatro noites, e na terceira eu estava cansada e com a mão mais frouxa. As carreiras dessa noite ficaram um pouco mais largas. Quando a mão muda de um dia para o outro, vale fazer uns pontos de aquecimento numa sobra antes de voltar à peça. Escrevi mais sobre isso em erros de tensão do fio.
- A volta final de ponto baixo. Ela prende a borda e impede que o último ponto alto fique abrindo.
Depois de arrematar, borrifei água até o sousplat ficar úmido, sem encharcar, e deixei secar estendido sobre uma toalha na mesa da cozinha, alisando a borda com a mão. No dia seguinte passei o ferro a vapor por cima de um pano de prato, sem encostar o ferro direto no barbante. Ele assentou de vez.
O que eu faria diferente no próximo sousplat
- Contaria os pontos desde a primeira carreira, e não só depois que o problema aparece.
- Faria uma amostra de 10 pontos com a agulha de 3,5 mm antes de começar, para ver se a trama fica fechada.
- Tentaria terminar em no máximo três sessões, para a tensão variar menos.
- Começaria com 4 correntinhas fechadas em anel, em vez do círculo mágico. Com barbante grosso, o anel mágico apertou bem, mas o barbante é duro de puxar e eu fiquei com medo de ele abrir na lavagem. Os cuidados com esse começo estão em erros do círculo mágico.
A primeira tentativa não foi perdida. Desmanchei até a quinta carreira e aproveitei o mesmo barbante, que voltou meio enrugado. Deixei o fio enrugado de molho em água por uns minutos, estiquei nas costas de uma cadeira e no outro dia ele estava liso de novo.
Perguntas frequentes
Por que o crochê redondo ondula?
Porque tem pontos demais para o tamanho da carreira. Conte os pontos e compare com a conta de 12 em 12 do ponto alto ou de 6 em 6 do ponto baixo. Tensão muito frouxa também pode deixar a borda mole e ondulada.
Quanto barbante vai num sousplat?
O meu, com 34 cm e barbante nº 6, pesou 160 g. Peça maior ou barbante mais grosso pede mais. Antes de começar, garanta que o rolo tem folga, porque emendar no meio da peça redonda aparece mais.
Qual agulha usar com barbante?
Com o barbante nº 6, a agulha de 3,5 mm deu uma trama fechada e firme. A de 4 mm deixou a peça mole no teste. Vale olhar a indicação no rótulo do barbante e fazer uma amostra antes.
Como deixar o sousplat firme?
Mantenha a tensão igual, feche com uma volta de ponto baixo e, depois de pronto, umedeça a peça e deixe secar esticada sobre uma superfície plana. Se ainda ficar mole, a próxima deve ser feita com uma agulha meio número menor.
Se você vai fazer o seu esta semana, separe uma folha e um lápis antes de pegar o barbante e anote o total de pontos ao fim de cada carreira, a começar pela primeira.
