O gráfico de ponto cruz é uma grade em que cada quadradinho vale um X bordado no tecido. O símbolo ou a cor dentro do quadrado diz qual linha usar, e o quadrado vazio é tecido sem ponto. Entendendo isso, uma flor pequena sai numa tarde.
O tecido pra começar é o etamine, que tem furinhos em grade bem visíveis. Cada casa do etamine corresponde a um quadradinho do gráfico, então dá pra contar sem régua. A agulha tem ponta arredondada e a linha é a meada de bordar separada em dois fios.
O que cada parte do gráfico quer dizer
Todo gráfico de ponto cruz tem a grade, a legenda e umas linhas mais grossas que dividem a grade de 10 em 10. Na primeira vez eu achei que as linhas grossas eram contorno do desenho e tentei bordar em cima delas. Elas servem só pra contar.
| No gráfico | O que significa | O que fazer no tecido |
|---|---|---|
| Quadrado com símbolo ou cor | Um ponto cruz inteiro | Bordar um X numa casa |
| Quadrado vazio | Tecido aparente | Pular a casa |
| Linha grossa a cada 10 quadrados | Marcação de contagem | Contar de 10 em 10 |
| Setinhas na borda da grade | Meio do desenho | Achar o centro do tecido |
| Traço fino por cima dos quadrados | Ponto atrás de contorno | Bordar por último |
| Legenda | Cor de cada símbolo e o código da linha | Separar as meadas antes de começar |
Quem já leu um gráfico de crochê vai achar a lógica parecida: cada símbolo é um ponto e a legenda manda. No ponto cruz a grade é fixa, sem carreira de ida e volta nem aumento, e isso deixa a leitura mais fácil.
Etamine, agulha e linha: o que separar antes
O etamine é vendido por número, que indica quantas casas cabem numa polegada (2,54 cm). O 14 é o mais fácil de achar no armarinho e é o que eu uso pra primeira peça, porque as casas são grandes o bastante pra contar sem lupa.
- um retalho de etamine 14 com uns 20 cm de cada lado, pra sobrar borda no bastidor;
- bastidor de 15 cm;
- agulha de tapeçaria, a de ponta arredondada, que passa no furo sem rasgar o fio do tecido;
- meadas nas cores da legenda (pra flor deste post, rosa, amarelo e verde);
- tesourinha e um lápis pra riscar no gráfico o que já foi bordado.
Se você já fez bordado livre, o bastidor e as meadas servem iguais. Aqui o desenho não vai riscado no tecido. Ele fica no papel, e você conta.
A meada tem seis fios torcidos juntos. No etamine 14 eu uso dois. Com três, o X fica gordo e tapa os furos vizinhos; com um só, o tecido aparece no meio do ponto e a cor fica rala.
As meadas eu enrolo em cartelinhas de papelão com o código da cor anotado e guardo na caixa seca, do jeito que contei no post sobre organizar o material na cozinha. Meada solta embola em dois dias.
Por onde começar o gráfico
Pelo centro. Dobro o etamine ao meio, depois ao meio de novo, e passo a unha nos vincos. O cruzamento das duas dobras é o meio do tecido. No gráfico, sigo as setinhas da borda até elas se encontrarem.
Na minha primeira tentativa comecei pelo canto de cima, contando casas até a primeira pétala. Errei uma casa na terceira fileira e só fui ver quando a flor inteira estava pronta, torta pro lado direito do retalho. Começando pelo meio, um erro de contagem fica perto e aparece logo.
Depois de achar o centro, bordo a cor que está nele e vou abrindo pros lados. Cada ponto novo fica encostado num ponto que já existe, então a contagem é sempre de uma ou duas casas. Contar quinze casas no vazio é onde o erro mora.
Como contar as casas do etamine
Uma casa é o quadradinho que fica entre quatro furos. O X entra por um furo de canto e sai pelo canto oposto, depois cruza pelos outros dois.
O tropeço mais comum é contar furos em vez de casas. Entre o primeiro e o quarto furo de uma fileira cabem três casas. Quando o gráfico pede três pontos e a pessoa conta quatro furos e borda até o quinto, sobra uma casa a mais.
Pra blocos maiores, conto sempre a partir do último ponto bordado e confiro com as linhas grossas do gráfico. Quando bato num múltiplo de 10, faço um risquinho de lápis no papel. Riscar no gráfico o que já foi feito evita bordar a mesma fileira duas vezes, coisa que já aconteceu aqui com uma folha.
Todos os X cruzam no mesmo sentido
Sim. A perninha de baixo de todos os pontos vai na mesma direção, e a de cima também. Se metade dos X cruza pra um lado e metade pro outro, a luz bate diferente em cada ponto e a peça fica com cara de manchada, mesmo com uma cor só.
Nos meus primeiros dez pontos eu cruzei do jeito que a mão pedia. Só percebi segurando o bastidor de lado contra a janela da cozinha: três pétalas brilhavam e duas pareciam foscas. Desmanchei as duas.
Hoje faço sempre a perninha de baixo do canto inferior esquerdo pro superior direito, e a de cima do inferior direito pro superior esquerdo. Numa fileira da mesma cor, vou assim:
- bordo todas as perninhas de baixo da fileira, da esquerda pra direita;
- volto pela mesma fileira fechando com as perninhas de cima, da direita pra esquerda;
- subo pra fileira seguinte e repito.
Esse ida e volta deixa no avesso uns tracinhos verticais retos. Avesso com tracinhos iguais quer dizer que o sentido ficou o mesmo. Ponto isolado, longe dos outros, eu faço inteiro de uma vez antes de passar pro próximo.
A primeira flor: 51 pontos em três cores
Pra treinar, desenhei num papel quadriculado uma flor simples, que cabe num quadrado de 9 por 9 casas mais o caule. Dá pra copiar com lápis de cor em qualquer folha quadriculada de caderno.
| Parte | Cor | Onde fica | Pontos |
|---|---|---|---|
| Miolo | Amarelo | Bloco de 3 por 3 bem no centro | 9 |
| Pétalas | Rosa | 4 blocos de 3 por 3, em cima, embaixo e dos lados do miolo | 36 |
| Caule | Verde | Coluna do meio, 4 casas abaixo da pétala de baixo | 4 |
| Folhas | Verde | 1 casa de cada lado do caule, na segunda casa dele | 2 |
A ordem que funcionou: miolo primeiro, porque ele está no centro do tecido. Depois a pétala de cima, a de baixo e as dos lados, todas encostadas no miolo. O verde fica por último, contando a partir da pétala de baixo. Levei pouco mais de duas horas, com uma pausa pra fazer a janta.
Os cantos do quadrado ficam vazios. É isso que faz o desenho virar flor, e é ali que a vontade de preencher atrapalha.
Como começar e arrematar sem nó
Nó no avesso faz um caroço que aparece quando a peça vai pro quadro ou é passada a ferro. Pra começar sem nó, uso o começo de laçada: corto um fio só da meada com uns 80 cm, dobro ao meio e enfio as duas pontas na agulha. Fico com dois fios e uma voltinha na outra ponta.
- Subo a agulha pelo avesso no canto da primeira casa, deixando a voltinha atrás.
- Faço a primeira perninha e, ao descer, passo a agulha por dentro da voltinha.
- Puxo devagar. O fio fica preso sem nó.
Esse começo só funciona com número par de fios. Pra arrematar, passo a agulha por baixo de quatro ou cinco pontos do avesso, da mesma cor, e corto rente. Linha escura eu não puxo por trás de casa vazia, porque a sombra aparece pela frente do etamine branco.
Perguntas frequentes
Qual tecido usar para ponto cruz?
Etamine 14 pra primeira peça. As casas são fáceis de ver e de contar, e o retalho custa pouco no armarinho.
Por onde começar o gráfico?
Pelo centro. Ache o meio do tecido com duas dobras e o meio do gráfico pelas setinhas da borda, e borde primeiro a cor que estiver ali.
Todos os pontos cruzam no mesmo sentido?
Sim. A perninha de cima de todos os X vai na mesma direção. Sentido misturado deixa a peça com aspecto manchado.
Como arrematar sem nó?
Passe a agulha por baixo de quatro ou cinco pontos do avesso, na mesma cor, e corte rente. Pra começar, use o laço com o fio dobrado.
Quantos fios da meada usar?
No etamine 14, dois. Mais que isso o ponto fica grosso demais; com um, o tecido aparece.
Pra começar hoje, ache o centro do retalho com as duas dobras e borde só o miolo amarelo, os nove X cruzando pro mesmo lado. Com o miolo pronto, as pétalas são contadas a partir dele, uma casa de cada vez.
