Caixinha de MDF pintada de azul com tampa de bolinhas brancas secando sobre tampinhas de garrafa, ao lado de lixa, pincel e pote de tinta

Pintura em MDF: do lixamento ao acabamento em 3 dias

Uma caixinha de MDF de 15 cm fica pronta em três dias quando cada etapa seca no seu tempo: lixa e selador no primeiro dia, tinta no segundo, verniz no terceiro. O trabalho de mão somou pouco mais de duas horas aqui em casa. As outras horas foram de espera.

Cronometrei tudo na última caixinha que pintei, uma de tampa solta que virou porta-linhas. Anotei num papel o horário de cada demão, porque nas peças anteriores eu sempre achava que dava pra adiantar uma etapa e acabava refazendo.

O cronograma dos três dias em uma tabela

Dia Etapa Tempo de mão Espera antes da próxima
1 Lixa 220 e pano úmido 20 min 15 min
1 Primeira demão de selador 10 min 2 h
1 Lixa 400 e segunda demão de selador 15 min a noite toda
2 Lixa 400 leve e primeira demão de tinta 25 min 3 h
2 Segunda demão de tinta 20 min a noite toda
3 Bolinhas da tampa 20 min 2 h
3 Duas demãos de verniz 20 min 1 h entre elas e 24 h antes de fechar a caixa

Esses tempos saíram de um fim de semana úmido, com a janela da cozinha aberta. Em dia seco e quente a espera encurta. O teste que eu uso é encostar o dorso do dedo num canto escondido da peça: se estiver frio ao toque, ainda tem água ali dentro e eu espero mais meia hora.

Dia 1: lixa, pano e duas demãos de selador

Separei tudo antes de abrir o primeiro pote, pra não sair procurando pincel com a mão suja:

  • a caixinha de MDF cru, de 15 cm, com tampa solta;
  • uma folha de lixa 220 e uma de lixa 400;
  • selador para madeira à base de água;
  • tinta PVA fosca branca e azul;
  • um pincel chato largo, um pincel macio só para o verniz e um rolinho de espuma;
  • verniz acrílico fosco à base de água;
  • pano de algodão, jornal e quatro tampinhas de garrafa.

Comecei pela lixa 220, enrolada numa borracha escolar pra ficar plana. Lixei as faces no sentido do comprimento, sem fazer força. As bordas cortadas tomaram mais tempo, porque é nelas que o MDF solta aquele pelinho. Passei a lixa em cada borda umas dez vezes, até o dedo deslizar sem agarrar.

O pó eu tirei com o pano quase seco, só umedecido. Pó que fica na peça vira grão embaixo do selador e aparece depois na tinta. Esperei uns 15 minutos pra umidade do pano sair.

A primeira demão de selador foi fina, com o pincel chato. As bordas beberam o produto na hora e ficaram opacas enquanto as faces ainda brilhavam, então passei mais uma vez só nelas. Apoiei a caixa e a tampa em cima das tampinhas de garrafa. Sem esse apoio, a base cola no jornal e leva um pedaço de papel junto.

Duas horas depois a superfície estava seca e áspera de novo. Isso acontece porque a água do selador levanta as fibras do MDF. Uma passada leve de lixa 400 resolveu, e a segunda demão já entrou lisa. Deixei secar a noite toda. Quem quiser ver essa etapa com mais calma encontra o detalhe no passo a passo de preparo do MDF antes de pintar.

Dia 2: duas demãos de tinta e uma tampa colada

De manhã passei a lixa 400 quase sem peso, só pra tirar o brilho do selador, e limpei com pano seco. A primeira demão foi de PVA branca. Eu tinha testado o azul direto sobre o selador no fundo da caixa, e ele secou mais escuro e meio acinzentado. Com o branco por baixo a cor ficou igual à do pote.

Usei o rolinho de espuma nas faces e o pincel nos cantos de dentro. A tinta foi quase pura, com umas gotas de água mexidas na tampinha, o bastante pra ela escorrer do pincel em fio grosso. Três horas depois veio o azul. Clareei a cor com três colheres de azul para uma de branco e guardei a sobra num potinho de vidro com tampa.

O erro veio à noite. Às nove horas a tinta estava seca ao toque, e eu encaixei a tampa pra levar a caixa inteira pra prateleira. Na manhã seguinte a tampa estava presa. Quando puxei, saiu junto uma tira de tinta de uns três centímetros da borda da base.

A tinta PVA seca ao toque em meia hora, mas a película continua mole por muitas horas. Duas superfícies pintadas encostadas nesse período grudam uma na outra. Lixei só a tira arrancada com a lixa 400, retoquei com duas demãos finas da sobra do potinho e perdi duas horas do terceiro dia. Sem a sobra guardada, eu teria que acertar o tom de novo no olho. Se a dúvida for qual tinta comprar pra cada superfície, comparei as três mais comuns no texto sobre tinta acrílica, PVA ou tinta para tecido.

Dia 3: bolinhas na tampa e verniz

O detalhe da tampa foram bolinhas brancas feitas com o cabo do pincel. Molhei a ponta do cabo na tinta, encostei na tampa e levantei reto. Cada mergulho rende duas bolinhas boas; a terceira já sai menor. Fiz cinco fileiras, medindo a distância com dois dedos. A Laura pediu pra fazer a última, e as bolinhas dela ficaram maiores que as minhas. Deixei assim.

Bolinha de tinta é uma gota alta, então demora mais que uma demão comum. Esperei duas horas antes do verniz. Na pressa, o pincel arrasta o branco e risca o azul.

O verniz foi o fosco à base de água, com o pincel macio, em demão fina e num sentido só. Onde o verniz já começou a secar eu não volto, porque o pincel deixa marca esbranquiçada. Uma hora depois passei a segunda demão cruzando o sentido da primeira. Já tive uma tampa grudenta por semanas por causa de camada grossa, e contei essa história no post sobre verniz e selante em peça pintada.

Dessa vez a tampa secou do lado da caixa, as duas em cima das tampinhas de garrafa, por 24 horas contadas no relógio.

Onde a peça ficou enquanto secava

A mesa da cozinha tem hora pra virar mesa de almoço, então a peça não pode morar ali. Entre uma etapa e outra, a caixa viajou numa assadeira velha forrada com papel manteiga até a prateleira alta do corredor.

No verniz, cobri tudo com uma caixa de papelão virada de boca pra baixo, com um lápis de calço pra deixar uma fresta de ar. Poeira e fiapo grudam em verniz fresco e ficam ali pra sempre. Na primeira caixinha que envernizei sem cobrir, achei um fio de linha preso bem no meio da tampa.

Secador de cabelo eu não uso mais. Testei numa peça antiga e a tinta formou uma pele por cima enquanto continuava mole embaixo. No dia seguinte apareceram rachaduras finas na cor.

O que eu faria diferente na próxima caixinha

  1. Três passadas de selador nas bordas. Mesmo com duas, a borda da tampa ficou um pouco mais fosca que as faces depois da tinta.
  2. Pintar por dentro primeiro. Comecei por fora e depois segurei a caixa pelas faces pintadas pra alcançar o fundo. Ficou uma digital na lateral, que só sumiu na segunda demão.
  3. Anotar a hora em que a peça libera a próxima etapa. Eu anotava a hora em que pintei e fazia conta de cabeça. Às nove da noite a conta saiu errada.
  4. Deixar a tampa longe da caixa. Se as duas partes estão lado a lado, a mão encaixa uma na outra sem pensar. Agora a tampa seca em outra prateleira.

Dá para encurtar para dois dias?

Em peça pequena e dia seco, dá. O selador entra de manhã cedo, a tinta à tarde e no começo da noite, e o verniz fica pro dia seguinte. Fiz assim num porta-chaves e deu certo, com a segunda demão de selador secando três horas em vez da noite inteira.

A parte que não encurta é a espera do verniz antes de encaixar tampa, gaveta ou qualquer peça que encoste em outra. Bandeja e caixa grande também pedem o terceiro dia, porque só a lixa das faces largas já leva o dobro do tempo e o braço cansa antes do fim.

Perguntas frequentes

Quanto tempo o selador leva para secar?

Aqui foram duas horas entre as demãos e uma noite antes da tinta. O rótulo do produto traz o tempo indicado pelo fabricante, e vale seguir o do pote que você comprou. O teste do dorso do dedo ajuda a conferir.

Posso pintar o MDF no mesmo dia em que passei o selador?

Pode, se o selador estiver seco e já tiver recebido a lixa fina. Em dia úmido eu prefiro esperar a noite, porque tinta sobre selador ainda frio demora mais pra firmar.

Qual lixa usar no MDF?

Uso a 220 no MDF cru e a 400 entre as demãos de selador e antes da tinta. Lixa mais grossa que a 220 deixa riscos que aparecem depois de pintado.

Como evitar que a tinta escorra?

Pincel pouco carregado, demão fina e peça deitada, pintando uma face de cada vez. Escorrido ainda fresco sai puxando com o pincel seco. Depois de seco, só lixando o lugar com a 400 e retocando.

Antes de abrir a lata de selador da sua caixinha, copie as sete linhas da tabela num papel, escreva ao lado o horário em que cada etapa libera a seguinte e prenda na porta da geladeira.