Estêncil borra, na maioria das vezes, porque tem tinta demais no pincel. A sobra não cabe no recorte do molde, entra por baixo da borda e leva o contorno junto. Quase todo o resto vem de molde solto ou de tirar o molde na hora errada.
Descobri isso na tampa de uma caixinha de MDF. Queria um ramo de folhas bem nítido e tirei o molde com todas as pontas peludas, parecendo bordado de lã. Depois repeti o mesmo ramo em MDF selado, em MDF cru e num retalho de algodão, na mesma tarde. O borrão muda de cara em cada caso, e é por essa cara que dá pra achar o erro.
Pelo borrão dá pra saber o que errou
Antes de mudar qualquer coisa, olhe onde a tinta foi parar. Cada defeito aponta pra uma causa diferente.
| O que aparece | Causa mais provável | O que fazer na próxima |
|---|---|---|
| Borda peluda em todo o desenho | Pincel carregado | Descarregar no papel toalha antes de bater |
| Mancha num canto só | Molde levantado naquele ponto | Prender esse lado e apertar com o dedo |
| Desenho dobrado ou arrastado | Molde mexeu ou saiu de lado | Tirar reto pra cima, com a peça parada |
| Filete fino escorrido pra dentro do molde | Tinta rala | Usar a tinta sem água |
| Contorno com degrau de tinta | Camada grossa de uma vez | Duas demãos finas |
| Mancha repetida no desenho seguinte | Verso do molde sujo | Limpar o molde entre uma aplicação e outra |
Tinta demais no pincel
Esse foi o meu erro nas folhas. Mergulhei o pincel na tinta e fui direto pra peça, porque parecia desperdício jogar tinta fora. Pra estêncil, o pincel precisa estar quase seco.
O teste que faço hoje leva dez segundos. Encosto a ponta do pincel na tinta, bato umas cinco vezes numa folha dobrada de papel toalha e depois bato uma vez num papel branco. Se a marca vier cheia e brilhante, ainda tem tinta sobrando. Quando vem uma marquinha fosca, com pontinhos, tá no ponto.
A primeira passada parece fraca mesmo, e é aí que a gente se assusta e carrega de novo. Eu resisto e faço a segunda demão depois de uns cinco minutos. Duas camadas finas cobrem melhor que uma grossa e não formam o degrau na beira do recorte.
Molde solto na peça
Mancha num canto só quase sempre vem daqui. O plástico do estêncil costuma vir enrolado, ou ganha uma ondinha com o uso, e aquele pedaço fica com uma fresta que você nem vê.
Prendo com fita crepe nos quatro lados, e não só em dois. A fita fica colada no molde e na peça, mas antes encosto ela na calça uma vez, pra perder um pouco da cola e não arrancar a tinta do fundo. Com a peça pronta pra receber tinta, passo o dedo em cima de cada recorte estreito, apertando o plástico contra a superfície.
Nos recortes finos, como a ponta de uma folha, segure o molde com um dedo da outra mão enquanto bate o pincel. Um palito de sorvete serve pra isso e deixa a mão mais longe da tinta.
Tem outro motivo para o molde ficar levantado, e levei tempo pra perceber: tinta seca no verso. Numa barra repetida em volta de uma caixa, cada aplicação deixa uma sobrinha atrás, e na terceira o plástico já não assenta. Hoje viro o molde a cada repetição e limpo com papel toalha úmido.
Tinta rala e pincel passado de lado
Quem chega de uma pintura comum costuma afinar a tinta e passar o pincel de um lado pro outro. No estêncil, os dois hábitos atrapalham.
Tinta com água escorre por capilaridade, ou seja, corre sozinha pelo vão entre o plástico e a peça. Por isso eu uso a tinta como sai do pote. O post sobre como diluir tinta acrílica mostra onde a água ajuda, e o estêncil fica de fora dessa lista.
O movimento certo é bater de cima pra baixo, com o pincel em pé, ou girar devagar em círculos pequenos. Pincelada de lado empurra as cerdas por baixo da borda, e aí nem o molde bem preso salva. Comece pelo plástico, ao lado do recorte, e entre no desenho de fora pra dentro.
Quanto à ferramenta, usei as duas e fico com a esponja nas áreas grandes, porque ela é mais fácil de descarregar. Um pedaço de esponja de cozinha, do lado macio, já resolve. O batedor de cerdas retas ganha nos recortes pequenos, onde a esponja não alcança o canto.
Hora errada de tirar o molde
O desenho arrastado acontece na saída. Esperei a tinta secar por completo uma vez, com medo de borrar, e a película de tinta colou no plástico: ao puxar, ela rasgou junto na ponta de duas folhas. Na tentativa anterior tinha feito o oposto, tirei com a tinta brilhando e o molde escorregou de leve.
Em camada fina, espero de dois a três minutos, até a tinta perder o brilho molhado. Solto a fita de um lado e levanto o molde reto pra cima, começando pela ponta que está mais longe de mim. Nada de deslizar. Se precisar de outra cor no mesmo desenho, deixe a primeira secar por completo antes de encostar o molde de novo.
O mesmo molde em MDF selado, MDF cru e algodão
Usei a mesma tinta acrílica, o mesmo batedor e o mesmo ramo nas duas madeiras. No tecido, troquei pela tinta para tecido.
| Superfície | Como a tinta se comportou | Resultado |
|---|---|---|
| MDF selado | Fica em cima da peça e o molde assenta bem | Contorno limpo, o melhor dos três |
| MDF cru | A fibra puxa a tinta pra fora do recorte | Borda com leve halo e cor manchada |
| Algodão | A trama absorve e o tecido se mexe junto com o pincel | Bom depois de esticar e prender |
No MDF, o selador muda mais o resultado do que qualquer pincel. Se a peça ainda está crua, passe pelo preparo de superfície em MDF antes de pensar no desenho. Espere o fundo secar bem também, porque fita em tinta recém-seca arranca pedaço.
No algodão, lave e passe o tecido antes. Estico o retalho sobre um papelão com fita crepe nas beiradas, e esse papelão também segura a tinta que atravessa. Com o pincel bem descarregado, o desenho sai firme. Se o tecido for camiseta ou fronha, a escolha da tinta conta tanto quanto a técnica, e a tabela de tinta acrílica, PVA ou tinta para tecido ajuda a decidir.
Como retocar o borrão sem repintar o fundo
Deixe secar antes de mexer. Tentei limpar um borrão molhado com cotonete e ele virou uma mancha com o dobro do tamanho.
- Com a tinta seca, passe uma lixa bem fina só se ficou degrau na borda. Vá de leve e pare assim que nivelar.
- Pegue a cor do fundo e um pincel redondo fino. Se o fundo foi misturado, prepare um pouquinho e teste num canto escondido, porque a cor da tinta muda ao secar.
- Pinte de fora pra dentro, cobrindo o borrão até a linha que o contorno deveria ter.
- Depois de seco, encaixe o molde de novo e bata uma demão bem fina só naquele recorte, se o desenho perdeu cor.
Tecido não aceita esse retoque, porque a tinta do fundo não existe e o borrão já entrou na trama. Ali eu mudo o desenho: um borrão na ponta de uma folha virou uma folhinha a mais, feita à mão com pincel fino. A Laura jurou que estava no molde.
Perguntas frequentes
Por que a tinta vaza por baixo do estêncil?
Porque tem tinta demais no pincel ou uma fresta entre o molde e a peça. Descarregue o pincel no papel toalha e prenda o molde nos quatro lados.
Pincel batedor ou esponja: qual borra menos?
Os dois funcionam quando estão quase secos. A esponja é mais fácil de descarregar, e o batedor entra melhor em recorte pequeno.
Tiro o estêncil com a tinta molhada ou seca?
No meio do caminho. Em camada fina, espero a tinta perder o brilho, o que aqui leva de dois a três minutos.
Como prender o estêncil sem ele sair do lugar?
Fita crepe nos quatro lados resolve quase sempre. Tire um pouco da cola da fita antes, pra não levar a tinta do fundo junto, e segure os recortes finos com um palito.
Dá para consertar o borrão depois de seco?
Em MDF, sim, com a cor do fundo e um pincel fino. Em tecido, o melhor é incorporar o borrão ao desenho.
Na próxima peça, separe um papel branco e faça o teste do pincel três vezes antes de encostar na madeira, e só depois repita no molde preso. Quando a marca sair fosca e com pontinhos, passe pra peça.
