O tapete oval de crochê é um círculo partido ao meio, com uma faixa reta entre as duas metades. A correntinha de base é essa faixa reta. Os aumentos vão só nas duas pontas, onde a peça faz a curva, e os lados retos recebem um ponto em cada ponto, volta após volta, sem ganhar nada.
Quando o oval ondula, fica pontudo ou vira uma bola, quase sempre o aumento entrou no lugar errado ou na quantidade errada. A conta é a mesma do crochê redondo, só que dividida em duas metades.
Eu só entendi isso no terceiro tapete. O primeiro eu comecei com uma correntinha do tamanho do espaço na frente da pia, uns 60 cm, e lá pela quinta volta ele já passava do armário sem ter largura nenhuma.
Por que o oval cresce só nas pontas
Pensa num tapete redondo. Ele cresce igual pra todo lado, porque cada volta ganha a mesma quantidade de pontos espalhada pela borda inteira. Agora corta esse círculo no meio e afasta as duas metades. O espaço que ficou entre elas é uma faixa reta, e é isso que a correntinha de base cria.
As duas metades continuam crescendo como círculo. A faixa do meio só ganha altura, de um lado e do outro, a cada volta. O comprimento dela fica igual. Se um lado reto ganha ponto, ele passa a ser mais comprido que a volta de baixo, a sobra não tem pra onde ir e a borda ondula.
Foi o que aconteceu no meu segundo tapete. Eu fazia um aumento aqui, outro ali, onde achava que a peça estava pedindo, inclusive nas laterais. Na sexta volta, o lado comprido parecia barra de cortina.
Quantas correntinhas fazer na base
A correntinha de base mede a diferença entre o comprimento e a largura do tapete pronto. Se ele vai ter 60 cm de comprido e 40 cm de largura, a correntinha tem 20 cm. As voltas crescem pros dois lados da correntinha ao mesmo tempo, então cada centímetro que o tapete ganha de largura ele ganha também de comprimento.
| Tapete pronto (comprimento x largura) | Correntinha de base | Formato |
|---|---|---|
| 60 x 40 cm | 20 cm | Oval curto e gordinho, bom pra frente de pia |
| 80 x 50 cm | 30 cm | Oval de banheiro |
| 100 x 60 cm | 40 cm | Passadeira curta |
| 120 x 40 cm | 80 cm | Passadeira comprida e estreita |
| 60 x 60 cm | nenhuma | Aí é tapete redondo |
Meço a correntinha deitada na mesa, esticada de leve, com a fita métrica de costura. Correntinha puxada volta a encolher quando solta, e o tapete sai mais curto do que a conta.
A base também costuma ficar mais apertada que o resto da peça. Faço a correntinha com uma agulha um número acima da que vou usar no tapete e troco na primeira volta. No post sobre crochê com a lateral torta eu conto o estrago que a base apertada fez num pano de copa.
A primeira volta, dos dois lados da correntinha
O oval usa os dois lados da correntinha de base, e é isso que fecha a peça em volta da faixa reta. No meu tapete, que é de ponto baixo, a primeira volta ficou assim:
- Um ponto baixo na segunda correntinha a partir da agulha e um em cada correntinha seguinte, até a penúltima.
- Na última correntinha, a do nó inicial, 3 pontos baixos no mesmo lugar. Esse leque é a primeira ponta e já vira a peça pro outro lado.
- Com a peça de cabeça pra baixo, siga com um ponto baixo em cada correntinha, agora pegando a alcinha de baixo que sobrou da base.
- Quando chegar de volta à correntinha onde fez o primeiro ponto baixo, faça mais 2 ali. Somando com o primeiro, essa ponta também fica com 3.
- Feche a volta com um ponto baixíssimo no primeiro ponto.
Se ponto baixo e ponto baixíssimo ainda se confundem na sua mão, os pontos básicos de crochê estão explicados num post mais antigo.
Ponto alto segue a mesma lógica com o dobro de pontos em cada ponta, porque o círculo de ponto alto cresce o dobro por volta. No meu primeiro sousplat de barbante eram 12 pontos a mais por volta; num oval de ponto alto, isso vira 6 em cada ponta.
Onde ficam os aumentos, volta a volta
Cada ponta do oval é meio círculo. Num círculo de ponto baixo entram 6 aumentos por volta, então cada ponta leva 3, e a volta inteira ganha 6 pontos. Os lados retos ficam com o mesmo número de pontos do começo ao fim. Aumento, aqui, é fazer dois pontos baixos no mesmo ponto da volta de baixo.
| Volta | O que fazer em cada ponta | Pontos da ponta no fim da volta |
|---|---|---|
| 1 | 3 pontos baixos no mesmo ponto | 3 |
| 2 | 1 aumento em cada um dos 3 pontos | 6 |
| 3 | (1 ponto baixo, 1 aumento) 3 vezes | 9 |
| 4 | (2 pontos baixos, 1 aumento) 3 vezes | 12 |
| 5 | (3 pontos baixos, 1 aumento) 3 vezes | 15 |
| 6 em diante | um ponto baixo a mais entre os aumentos a cada volta | sobe de 3 em 3 |
Por que a ponta fica pontuda
Seguindo a tabela à risca, os aumentos caem sempre no mesmo lugar, um em cima do outro. Lá pela sétima ou oitava volta, cada pilha de aumentos vira uma quininha, e a curva sai com cara de meio hexágono. É o mesmo canto que apareceu no sousplat.
Pra arredondar, mudo o lugar do aumento nas voltas pares. Na volta 4, em vez de 2 pontos e um aumento, faço 1 ponto, o aumento e mais 1 ponto. A conta da volta continua a mesma, e o aumento só escorrega pro meio do grupo.
O marcador no começo de cada curva
O que salvou o terceiro tapete foram quatro grampos de cabelo. Prendo um no ponto onde cada curva começa e outro onde ela termina. Dentro de cada par de grampos fica uma ponta, e lá vão os aumentos da tabela. Fora dos pares ficam os dois lados retos, e ali é um ponto em cada ponto, sem pensar.
A cada volta, tiro o grampo e prendo de novo no ponto que ficou bem em cima dele. A curva alarga sozinha, porque ganha 3 pontos por volta, e os grampos só acompanham.
Também passei a contar só a curva. No fim de cada ponta, confiro se ela tem os pontos da tabela e anoto na folha presa na geladeira. Se tiver um a mais ou a menos, desmancho só aquele pedaço, que tem poucos pontos. No primeiro tapete eu contava a volta inteira, perdia a conta no meio da reta e não sabia em que lado tinha errado.
Ondulou ou enrolou: o que a borda está mostrando
A cada duas voltas, deito o tapete no chão da cozinha e olho de cima e de lado. Os sinais aparecem cedo, quando ainda dá pra desmanchar pouco.
| O que aparece | O que aconteceu | Como acertar |
|---|---|---|
| Curva sobe e desce, como babado | Aumento demais na ponta | Desmanchar até a última volta lisa e refazer pela tabela |
| Borda levanta e o tapete vira uma tigela rasa | Aumento de menos, ou mão apertada demais | Conferir se os 3 aumentos entraram em cada ponta; se entraram, soltar a mão ou subir meio número de agulha |
| Lado reto ondula | Ponto a mais na reta | Contar entre os grampos: a reta tem o mesmo número de pontos da volta 1 |
| Ponta com quina | Aumentos empilhados no mesmo lugar | Mudar o lugar do aumento nas voltas pares |
| Oval quase redondo | Correntinha curta pro tamanho que você queria | Refazer a base pela conta do comprimento menos a largura |
| Um lado reto mais curto que o outro | Ponto perdido perto do fechamento da volta | Grampo também no primeiro ponto da volta |
Uma onda leve de uma volta só às vezes some quando a peça seca esticada, como aconteceu com o sousplat na toalha da mesa. Onda que cresce por três voltas seguidas não some, e essa eu desmancho.
Fechar cada volta ou subir em espiral
No tapete de barbante eu fecho cada volta com um ponto baixíssimo e subo com uma correntinha. A emenda fica numa linha só, e eu escolho onde ela cai: no começo de um lado reto, longe das curvas, porque ali ela fica escondida e não atrapalha a conta dos aumentos.
Em espiral, sem fechar, o começo da volta anda um pouquinho a cada vez e acaba entrando na curva. Pra quem ainda está aprendendo a ler o oval, isso embaralha os grampos. Se for fazer listras, o ponto baixíssimo de fechar a volta é também o lugar da troca de cor, do jeito que comparei no post sobre trocar de cor no crochê.
Barbante e agulha pro primeiro oval
Usei barbante cru nº 6 com agulha de 3,5 mm, a mesma dupla do sousplat. Tapete leva pisada e arrasta no chão, então precisa ficar firme, com a mão um pouco mais justa que a de um porta-copos. Se dá pra ver o chão pelos furinhos do ponto, a agulha está grande pro fio.
Barbante mais grosso adianta o tapete e pede agulha maior. Antes de comprar, faço uma rodelinha de quatro ou cinco voltas com o fio e a agulha que vou usar e deito no chão: se ela assentar lisa e firme, a dupla serve. O meu oval de 60 x 40 cm levou umas sete noites, sempre parando no fim de uma ponta, nunca no meio de uma curva.
Fio misturado também funciona, desde que a grossura seja parecida. Foi assim que as sobras da caixa viraram o tapete de retalhos de linha, que é redondo, mas segue a mesma conta de aumentos.
Perguntas frequentes
Quantas correntinhas fazer na base do tapete oval?
Meça em centímetros: comprimento menos largura do tapete pronto. Pra 60 x 40 cm, a base tem 20 cm, medida com a correntinha deitada na mesa e sem esticar.
Onde ficam os aumentos no oval?
Só nas duas pontas. Em ponto baixo são 3 aumentos em cada ponta por volta; em ponto alto, 6. Os lados retos não recebem aumento nenhum.
Por que meu tapete oval está ondulando?
É aumento demais. Se a onda está na curva, confira a conta da ponta na tabela. Se está no lado reto, entrou ponto a mais entre os grampos.
Precisa trabalhar dos dois lados da correntinha?
Precisa. A primeira volta passa por cima da correntinha, faz a curva na ponta e volta pela alcinha de baixo. Trabalhando só um lado, a peça fica uma tira aberta, sem fechar em volta da base.
Qual barbante e agulha usar no tapete oval?
Barbante nº 6 com agulha de 3,5 mm deixou o meu firme. Fio mais grosso pede agulha maior; a rodelinha de teste no chão mostra se a dupla serve antes de começar.
Antes de comprar o barbante, meça o lugar do tapete, tire a largura do comprimento e faça só a correntinha e as três primeiras voltas, com os grampos marcando as curvas. Se a peça deitar lisa na mesa nessa altura, siga a tabela até a largura que você quer.
