Paleta úmida caseira em pote plástico com papel manteiga e montinhos de tinta acrílica, ao lado de borrifador, pincéis e uma tela pequena

Tinta acrílica secando na paleta: a paleta úmida que montei

A tinta acrílica parou de secar na minha paleta quando troquei a tampa de pote de sorvete por um pote plástico com tampa, forrado com papel-toalha molhado e uma folha de papel manteiga por cima. A tinta fica sobre o papel manteiga, puxa umidade de baixo e continua mole por horas. Fechado, um verde que misturei numa quinta ainda estava bom de usar no domingo.

Antes disso eu pintava contra o relógio. Espremia a tinta na tampa, misturava um tom, e em uns vinte minutos a beirada da poça já tinha película. Um verde-oliva que levei quase meia hora pra acertar virou casquinha enquanto eu pintava o céu de uma tela pequena. No dia seguinte tentei misturar de novo e não saiu igual.

A primeira versão da paleta deu errado de dois jeitos diferentes, e os dois são fáceis de repetir.

O que usei pra montar a paleta

  • Um pote plástico raso com tampa, daqueles de guardar frios, de uns 20 por 15 cm.
  • Quatro folhas de papel-toalha dobradas no tamanho do fundo.
  • Uma folha de papel manteiga cortada um dedo menor que o pote.
  • Água da torneira e um borrifador velho de passar roupa.
  • Uma esponja de pia nova, que só entrou na segunda versão.

Tudo já estava na cozinha. O rolo de papel manteiga acabou dividido entre a paleta e a forma de bolo.

A primeira paleta: água demais e papel errado

Na primeira tentativa, molhei o papel-toalha debaixo da torneira e coloquei no pote ainda pingando. Por cima, usei papel vegetal, o de decalque, que tinha sobrado de um desenho que passei pra madeira.

Em menos de uma hora deu pra ver os dois problemas. A água empoçada subiu pelas bordas do papel, e a tinta perto da beirada ficou rala, quase uma aguada. O azul que eu tinha separado pra um céu escorreu quando inclinei o pote, e na tela ele cobriu mal, com o branco aparecendo por baixo.

Era o mesmo efeito de pingar água demais na tinta, que eu já tinha visto no teste de diluir tinta acrílica com conta-gotas. Só que dessa vez eu estava diluindo sem perceber.

O papel vegetal enrugou inteiro. Ele molha de um lado, estica e forma ondinhas que viram valas. A tinta escorria pra dentro das valas, e o pincel não pegava a cor dali sem arrastar o papel junto. Joguei a folha fora no fim da tarde, cheia de dobras e com as cores misturadas no fundo das valas.

O que mudei na segunda versão

  1. Molhei o papel-toalha e torci com a mão até parar de pingar. Ele fica encharcado, mas sem poça.
  2. Coloquei a esponja de pia, sem a parte verde, no fundo do pote e o papel-toalha por cima. A esponja guarda água de reserva e solta aos poucos.
  3. Troquei o papel vegetal pelo papel manteiga e passei a mão por cima pra tirar as bolhas de ar. Ele precisa ficar colado no papel-toalha.
  4. Esperei uns cinco minutos antes de pôr tinta. O papel manteiga escurece um pouco quando está úmido por igual.
  5. Pus a tinta em montinhos do tamanho de uma ervilha, longe das bordas.

Com isso, a tinta ficou na mesma consistência de quando sai do pote, e o papel manteiga continuou liso. Ele também ondula depois de uns dias, só que bem menos, e as ondas são largas o bastante pro pincel passar por cima.

Quanto tempo a cor durou com a paleta fechada

Colei uma fita crepe na tampa e anotei o dia de cada mistura. A paleta ficou fechada em cima do armário da cozinha, longe do fogão e da janela.

Cor na paleta Como estava no dia seguinte Até quando usei
Branco puro, montinho alto Igual ao primeiro dia 5 dias
Verde-oliva misturado Mole, um pouco mais brilhante 4 dias
Azul com um pingo de água Mais ralo que no dia anterior 2 dias
Preto espalhado em camada fina Película na superfície 1 dia

Montinho alto dura mais que tinta espalhada, porque só a superfície perde água. A tinta que já entrou com água continuou puxando umidade do papel e foi ficando cada vez mais rala.

No quinto dia apareceu um pontinho escuro no canto do papel-toalha, perto de onde a tampa não fechava bem. Joguei o papel fora, lavei o pote com detergente e montei de novo. Hoje troco o papel-toalha a cada três ou quatro dias de uso, mesmo que pareça limpo, e deixo o pote aberto secando uma noite antes de remontar.

O que segurou a tinta molhada enquanto eu pintava

A paleta resolve o intervalo entre um dia e outro. Durante a pintura, alguns hábitos pesaram tanto quanto ela.

  • Pouca tinta por vez. Ponho no papel o que vou usar em meia hora e pego mais se acabar. Montinho grande parado esperando a vez é o primeiro a criar película.
  • Borrifador na mão. Uma borrifada em cima da paleta a cada 15 ou 20 minutos, de longe, pra cair como névoa. De perto, o jato faz gota, e a gota dilui a tinta onde cai.
  • Longe da janela. Na cozinha, a janela fica do lado da pia, e com vento a tinta secava na metade do tempo. Mudei a paleta pro outro lado da mesa.
  • Tampa no intervalo. Se vou buscar a Laura na escola ou fazer o almoço, fecho o pote. Dez minutos aberto no sol da tarde já deixavam casquinha.
  • Pincel úmido na hora de pegar tinta. Depois de lavar o pincel, seco no papel-toalha antes de voltar pro montinho. Pincel pingando leva água pra tinta, e o problema da primeira paleta volta. A rotina de limpeza que uso está no post sobre quais pincéis comprar primeiro e como cuidar deles.

Quando a paleta úmida não vale a pena

Pra uma pintura rápida de uma cor só, como a base de uma caixinha de MDF, eu não monto a paleta. A tinta vai direto do pote pro pincel e acaba antes de secar.

Ela também atrapalha na técnica de pincel seco, a que faz textura de madeira ou de pelo arrastando pouca tinta. Essa técnica pede tinta grossa e quase sem umidade, e a paleta deixa tudo mole demais. Nesses casos separo uma tampa seca só pra essa cor.

Onde ela compensa mesmo é em mistura de tom. Quando passo vinte minutos acertando um verde ou um tom de pele a partir das cores primárias, do jeito do guia de misturar cores sem errar o tom, perder essa mistura de um dia pro outro é o que mais desanima. Com a paleta, ela fica esperando o próximo dia de pintura.

O que eu faria diferente

Começaria direto pelo papel manteiga. Perdi uma folha e uma tarde de tinta testando papel vegetal só porque era o que estava na gaveta.

Escolheria um pote mais raso. O meu tem uns 5 cm de altura, e o cabo do pincel bate na borda quando vou pegar tinta perto do canto.

Anotaria a data na fita crepe desde a primeira mistura. Só descobri quanto tempo cada cor aguentava quando comecei a escrever.

Perguntas frequentes

Papel manteiga ou papel vegetal na paleta úmida?

Papel manteiga. O vegetal enrugou em menos de uma hora na minha paleta e formou valas onde a tinta escorria. O manteiga ondula pouco e só depois de alguns dias.

A paleta úmida serve para aquarela?

Eu não uso. A aquarela seca na paleta e volta a ficar molhada com um pingo de água, então ela não se perde como a acrílica, que vira película e não amolece mais.

A paleta úmida cria mofo?

Pode criar se o papel-toalha ficar muitos dias sem troca. Na minha apareceu um pontinho escuro no quinto dia. Trocar o papel a cada três ou quatro dias e lavar o pote resolveu.

Quanto tempo a tinta dura na paleta fechada?

Na minha, a cor pura e as misturas sem água duraram de quatro a cinco dias. A tinta que entrou já diluída ficou rala em dois dias.

Precisa de esponja no fundo?

Funciona sem ela. Só que o papel-toalha seca mais rápido e pede uma borrifada no fim de cada dia de pintura.

Se você tem um pote com tampa e um rolo de papel manteiga em casa, monte a paleta antes da próxima pintura e coloque nela só a cor que mais dá trabalho misturar. No dia seguinte, abra a tampa e confira o montinho antes de espremer tinta nova.