Duas amostras de crochê em barbante cru ao lado de uma régua, uma agulha e um novelo dentro de uma tigela

Pontos de crochê desiguais: erros de tensão do fio e como acertar

Ponto de crochê sai desigual quando o fio chega à agulha cada hora com uma folga diferente. A mão que segura o fio aperta num ponto, afrouxa no seguinte, e a peça registra tudo: uma carreira estreita, outra larga, a borda ondulando de um lado.

Na minha primeira semana de crochê eu desmanchei o mesmo quadrado umas seis vezes achando que errava a contagem. A contagem estava certa. O quadrado tinha 20 pontos em todas as carreiras e mesmo assim media 11 cm embaixo e 9 cm em cima. Minha avó olhou minha mão esquerda por uns dez segundos e disse: “você tá estrangulando a linha”.

Ela tinha razão. Eu dava duas voltas do fio no indicador e ainda prendia com o polegar. Contagem errada e fio preso são problemas diferentes, e os de contagem eu juntei no texto sobre os erros mais comuns de quem tá aprendendo crochê. Aqui fica só o que acontece entre o novelo e a agulha.

O que a peça mostra quando a tensão está errada

Antes de mexer na mão, eu estico a peça na mesa e olho de cima. Cada defeito tem uma causa mais provável, e saber qual é poupa de mudar tudo de uma vez.

O que aparece na peça Causa mais provável Onde olhar
A agulha não entra no ponto da carreira de baixo Fio enrolado com força no dedo ou ponto feito na ponta da agulha Erros 1 e 3
Pontos altos, moles, com furinhos entre eles Fio solto na mão ou laçada puxada para cima Erros 2 e 4
Peça em leque, estreita na base e larga em cima Correntinha inicial mais apertada que o resto Erro 5
Faixas: um trecho fechado, outro aberto Trabalho retomado em outro dia, com outra pegada Erro 6
Borda ondulada só de um lado Último ponto da carreira feito com o fio mais solto Teste da amostra

Como eu seguro o fio hoje

Minha avó passa o fio por cima do indicador e por baixo dos outros três dedos. Comigo o fio escorregava e eu compensava apertando. Depois de testar uns quatro jeitos numa tira de ponto baixo, fiquei com este:

  1. O fio vem do novelo e entra entre o mindinho e o anelar, pelo lado de fora da mão.
  2. Passa pela palma, por baixo do anelar e do dedo médio.
  3. Sobe e fica apoiado por cima do indicador, uma volta só.
  4. O indicador fica levantado uns 2 cm acima da peça.
  5. Polegar e dedo médio seguram a peça logo abaixo do ponto que está sendo feito.

O mindinho é o freio. Fechando um pouco, o fio corre menos; abrindo, corre mais. O indicador só mantém a altura. Quando entendi que regular a folga era trabalho do mindinho, parei de travar a mão inteira.

O novelo entra na conta. Novelo que rola pelo chão e prende no pé da cadeira dá tranco no fio, e cada tranco vira um ponto menor. Eu deixo o meu numa tigela funda, do lado esquerdo, e puxo uns dois palmos de fio antes de começar cada carreira.

Seis erros de tensão e a correção de cada um

1. Dar duas voltas do fio no dedo

Era o meu erro. Com duas voltas no indicador, o fio não desliza: ele só anda quando a agulha puxa com força, e o ponto fecha pequeno. Na carreira seguinte a agulha não entra, a gente força, o fio abre em fiapos.

A correção é uma volta só, ou nenhuma, com o fio apenas apoiado. Para saber se está bom, puxe o fio com a mão direita sem fazer ponto. Ele precisa correr pelos dedos com um atrito leve, sem tranco.

2. Largar o fio a cada ponto

É o contrário. A pessoa faz o ponto, solta tudo, pega o fio de novo. Cada vez que pega, a folga é outra, e os pontos saem um de cada tamanho na mesma carreira. Vi isso numa toalhinha da minha cunhada: parecia feita por três pessoas.

Aqui o treino é fazer dez pontos seguidos sem abrir a mão esquerda. Se o fio acabar no meio, puxe mais do novelo com a mão direita, que já está com a agulha, e continue.

3. Fazer o ponto na ponta fina da agulha

A agulha de crochê tem o gancho, um pescoço mais fino e depois o corpo, que é a parte que tem a medida marcada. A laçada só fica do tamanho certo quando desliza até o corpo. Quem trabalha só no pescoço faz ponto de agulha 2,5 mm usando uma de 3,5 mm.

Olhe a laçada parada na agulha antes de completar o ponto. Ela tem que estar na parte grossa, abraçando a agulha sem sobrar e sem apertar.

4. Puxar a laçada para cima

Depois de pegar o fio por baixo do ponto, tem gente que ergue a agulha uns dois dedos acima da peça. A laçada estica, o ponto baixo fica comprido e mole, e o tecido ganha furinhos. Eu fazia isso no ponto alto, sem perceber, quando tentava ir rápido.

A agulha trabalha deitada, quase paralela à carreira. A laçada sobe só até a altura das outras que já estão na agulha.

5. Correntinha inicial apertada

Correntinha quase todo mundo faz mais apertada que os pontos, porque ainda não tem peça para segurar. O resultado é o leque: a base repuxa e as carreiras de cima abrem. Meu quadrado de 11 cm por 9 cm era isso ao contrário, eu começava solta e ia apertando.

O que resolveu aqui foi fazer só a correntinha com uma agulha meio número acima e voltar para a agulha normal na primeira carreira. Com barbante, faço a base com a de 4 mm e sigo com a de 3,5 mm.

6. Parar no meio e voltar outro dia

Uma peça feita em quatro noites tem quatro mãos diferentes. À noite, com pressa de terminar a carreira antes de dormir, meus pontos saem menores. No domingo à tarde saem maiores. No meu primeiro cachecol dá para contar as sessões pelas faixas.

Antes de retomar, faço cinco ou seis pontos numa sobra do mesmo fio e comparo com a última carreira da peça. Leva um minuto. Outra ajuda é parar sempre no fim da carreira, nunca no meio, porque a diferença numa carreira inteira aparece menos do que meia carreira de cada jeito.

O teste da amostra de 10 pontos

A amostra mostra o problema em quinze minutos, sem gastar a peça de verdade. Eu faço assim:

  1. 11 correntinhas com o fio e a agulha do projeto.
  2. 10 pontos baixos por carreira, 10 carreiras. Se o ponto baixo ainda não sai sozinho, o passo a passo está no texto dos pontos básicos de crochê.
  3. Arremato, estico na mesa sem puxar e meço a largura com régua em três alturas: base, meio e topo.
  4. Conto os pontos da última carreira, para ter certeza de que a diferença é de tensão.

Diferença de até meio centímetro entre as três medidas eu aceito. Passou disso, refaço prestando atenção em um erro por vez. Tentar corrigir a pegada, a altura da agulha e a correntinha na mesma amostra só me deixou mais dura.

Com barbante cru e agulha de 3,5 mm, minha amostra mede perto de 6 cm de largura. Numa noite de pressa já deu 5 cm. Guardo as amostras na caixa de linhas com um papelzinho preso por um grampo de cabelo: fio, agulha e data. Quando volto a um fio depois de meses, comparo com a amostra antiga antes de começar.

Quando trocar a agulha em vez de mudar a mão

Se a amostra saiu toda igual, mas dura como papelão, a mão está regular e o tecido só está fechado demais. Nesse caso eu não mexo na pegada. Subo meio número na agulha e repito a amostra. Se saiu toda igual e mole, desço meio número.

Agulha não conserta amostra irregular. Ponto grande ao lado de ponto pequeno, na mesma carreira, continua assim com qualquer agulha, só que em outra escala.

O rótulo do novelo traz uma faixa de agulhas indicadas, e eu começo pelo meio dela. Expliquei essa leitura no texto sobre como escolher a linha e a agulha. O material da agulha também pesa: com algodão, que agarra mais, a de alumínio desliza melhor na minha mão do que a de plástico.

Perguntas frequentes

Por que meu crochê fica apertado?

Quase sempre porque o fio está preso demais na mão esquerda ou porque o ponto é feito no pescoço fino da agulha. Faça o teste de puxar o fio sem fazer ponto: se ele vier aos trancos, tire uma volta do dedo.

Como segurar o fio na mão esquerda?

Do jeito que deixe o fio correr com atrito leve e constante. O meu passa entre o mindinho e o anelar, cruza a palma e apoia no indicador. Quem é canhota faz o espelho, com o fio na mão direita.

Trocar de agulha resolve?

Resolve quando todos os pontos estão iguais entre si e o tecido inteiro ficou duro ou mole. Se os pontos variam dentro da mesma carreira, o ajuste é na mão.

A tensão melhora com o tempo?

Comigo melhorou em umas três semanas, fazendo uma tira de ponto baixo por 15 minutos quase todo dia. A mão passa a repetir o movimento sem eu pensar. Em fio novo, mais liso ou mais grosso, ainda preciso de uma amostra para me acostumar.

Dá para disfarçar uma peça que já ficou desigual?

Um pouco. Em algodão e barbante, eu molho a peça, estico na medida sobre uma toalha, prendo com alfinetes e deixo secar. As carreiras se acomodam, mas faixa muito apertada continua visível.

Por onde começar hoje

Pegue uma sobra de fio e faça a amostra de 10 pontos sem tentar corrigir nada. Meça nas três alturas, compare com a tabela lá de cima e escolha um erro só para trabalhar na segunda amostra. Guarde as duas juntas, com a data.